O Estado de S. Paulo
31/07/1992

É preciso ser parceiro na empresa
O sucesso depende de um esforço total e não de ações isoladas

por Paulo P Sanchez*


Apenas concebível há alguns anos, a parceria vem se incorporando pouco a pouco aos hábitos, saudáveis, de algumas empresas. Ficou claro que uma estratégia eficiente, local e global, não pode mais desprezar a participação do cliente, interno ou externo, na maioria das vezes simplesmente ignorado ou considerado uma amolação, já que é ele quem fornece o que as empresas de ponta consideram fundamental para seu desenvolvimento: a informação.

Infelizmente, porém, é ainda muito pequena a quantidade de parcerias e o fato de ocorrerem não significa necessariamente um êxito. Muitas empresas falam muito sobre parceria mas são poucas as que conseguem sucesso na prática. O primeiro grande empecilho da parceria é que ela obriga as empresas a ultrapassar a produção em massa em direção da produção por encomenda e as novas formas de organização e operações, locais e globais. O segundo é que a parceria exige da empresa o domínio de habilidades diversas, continuamente em evolução e, principalmente, níveis mais elevados de integração de seus funcionários.

Conectividade e integração - são estes os pressupostos de uma estratégia eficaz. O sucesso depende de um esforço total e não de ações isoladas. Não é de estranhar, portanto, que a eficácia de produtos e serviços passe a depender cada vez mais da canalização da informação, a qual só poderá ser agregada ao processo se a empresa praticar a parceria internamente. Ou seja, antes de se poder estar junto e ao lado do cliente é preciso estar integrado e ser parceiro. Para não investir numa única receita de bolo que não dê certo, alguns bons sinais já se fazem presentes:

  • A transformação do funcionário em colaborador ativo. As empresas de ponta acenam com processos inovadores de integração, tanto internos como externos, que virão conciliar e complementar o potencial de seus recursos humanos;

  • A substituição do trabalho bruto pela informação ou pelo conhecimento. Enquanto alguns acham que o mundo á plano outros já exploraram as bordas e descobriram que não é;

  • Distribuição da informação. Dentro das principais empresas colaboradores estão conseguindo acesso à informação antes monopolizada. A informação acelera o processo e leva a empresa para uma economia de tempo real que substitui os gastos com a demora. A capacidade de encurtar o tempo pode fazer a diferença entre lucro e prejuízo;

  • A mudança do satus do cliente, de mero espectador a integrativo;

  • A passagem da produção em massa para produtos com maior valor agregado;

  • A passagem do quantitativo para qualitativo

    O sucesso da parceria virá, entretanto, da maturidade do esforço em conjunto. Empresas e clientes devem encarar esse esforço de preservação de seus interesses como um verdadeiro trabalho em parceria. Trata-se, em realidade, de falar o mesmo idioma.

    * Paulo P. Sanchez é sócio fundador da BIRD Gestão Estratégica em Idiomas